domingo, 24 de janeiro de 2021

Queques de maçã e chocolate

Estamos de volta a um confinamento total e sejamos apenas adultos por casa ou também com crianças, parece que o apetite não se cala e se passa o dia a ouvir alguém pedir comida. 

Caprichemos então nos lanches e pequenos almoços para que sejam nutritivos e saciantes. E se chamarmos as crianças para ajudar na cozinha, garantimos logo três programas: preparar, comer e limpar!
Tento aproveitar o fim de semana ou algum momento de maior disponibilidade para produzir em série e aliviar a tarefa nos próximos dias. 

A simplicidade destes queques não faz adivinhar o quanto são húmidos e fofinhos e tão boa companhia para uma chávena quente ao lanche. 

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Queques de maçã e chocolate 
(rende 12 un.)

2 maçãs reinetas 
1/2 cháv (60 g) de bebida soja 
1/2 cháv (80 g) azeite 
150 g pasta tâmaras - ou 3/4 cháv (150 g) de açúcar 
2 c. sopa cacau cru 
1,5 cháv (180 g)farinha espelta ou trigo normal 
1/2 cháv (60 g) farinha aveia ou trigo normal 
1 c. chá fermento 
1/2 c. chá bicarbonato 
1 pitada de sal /


// preparação tradicional 

Pré-aqueça o forno a 180ºC. 
Forre com papel ou unte 12 formas de queques. 

Rale grosseiramente ou corte em cubinhos 1,5 maçã reineta e reserve. 
Triture no liquidificador ou com a varinha mágica a restante meia maçã, a bebida de soja, o azeite, a pasta de tâmaras (ou açúcar) e o cacau cru. 
Envolva as farinhas, o fermento, o bicarbonato e o sal. 
Por fim, misture a maçã reservada. 

Divida a massa pelas formas preparadas e leve ao forno a 180ºC cerca de 25-30 minutos (ao espetar um palito no centro das formas este deve sair seco). 
Retire do forno e deixe arrefecer sobre uma grelha. 


// preparação robot de cozinha (bimby_thermomix) 

Pré-aqueça o forno a 180ºC. 
Forre com papel ou unte 12 formas de queques. 

Coloque 1,5 maçã no copo e corte em pedacinhos grosseiros alguns segundos, na velocidade 4. Retire e reserve. 
Coloque no copo a restante meia maçã, a bebida de soja, o azeite, a pasta de tâmaras (ou açúcar) e o cacau cru e triture 2 min/vel 6. 
Adicione as farinhas, o fermento, o bicarbonato e o sal e envolva 5 seg, vel 3. 
Com a espátula, envolva a maçã reservada (ou, se preferir, faça este último passo numa taça, pois como a massa é bastante densa torna-se mais fácil). 

Divida a massa pelas formas preparadas e leve ao forno a 180ºC cerca de 25-30 minutos (ao espetar um palito no centro das formas este deve sair seco). 
Retire do forno e deixe arrefecer sobre uma grelha.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Borscht e uma viagem de 2011.

Setembro de dois mil e onze. Parece que foi noutra vida. 
Numa vida ainda sem filhas, sem máquinas fotográficas profissionais, sem google maps. Sem pandemias. 
E foi nessa vida passei um dia em S. Petersburgo e comi borscht pela primeira vez.
 
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Em Setembro desse ano viajámos pelos países do Báltico e além da Estónia, Letónia e Lituana, ainda demos um salto de barco até à Rússia e passámos um dia em S. Petersburgo. 
Eventualmente foram demasiadas cidades para poucos dias e algumas memórias desses lugares ficaram perdidas, só as encontro nas fotografias que guardamos. 
Mas o borscht... o borscht que comemos em S. Petersburgo nunca mais foi esquecido. 
Penso que terá sido a primeira vez que provei e ficou comigo. 

No restaurante Oásis, ali ao lado da Gulbenkian, costuma ser a sopa do dia às segundas feiras e não fica nada a dever ao que comemos em terras russas. 
Sei que há muitas variações conforme o país, por isso não posso assegurar que esta versão que aqui trago seja a mais tradicional, mas posso com toda a certeza garantir que é viciante. 


Não tenham medo de serem mãos largas nos temperos e no vinagre porque é uma sopa que se quer forte, robusta e pujante. Servida bem quente, aquece o corpo e a alma. 
Hoje, mais do que nunca, isso faz falta.


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Borscht 

Azeite 
1 cebola picada 
1 folha de louro 
4 alhos picados 
2 cenouras (200 g) em cubinhos 
1 talo de aipo 
1 alho francês, em rodelas finas 
4 batatas (400 g) em cubinhos 
4 beterrabas (300 g) pequenas em cubinhos 
1 nabo pequeno (100 g) em cubinhos 
½ pimento vermelho em cubinhos 
2 c. sopa de pasta de tomate 
1 c. chá paprika 
1 c. chá funcho seco 
1 c. chá de erva doce 
8 cháv de caldo de legumes ou água (2 L) 
Sal e pimenta preta moída na hora 
2 cháv. couve portuguesa em juliana fina 
2 cháv. feijão branco cozido 
3 c. sopa de vinagre 
3 c. sopa de rama de funcho fresco ou funcho seco p/ servir 

Molho de limão e funcho p/ servir: 
3 c. sopa de iogurte de soja natural ou creme de caju 
Sumo de meio limão 
1 c. sopa de rama de funcho fresco ou funcho seco 
Sal e pimenta preta moída na hora 


// preparação 

Numa panela grande, coloque uma quantidade generosa de azeite e refogue em lume médio-baixo a cebola até ficar macia e dourada. 
Acrescente o louro e os alhos. 
Enquanto isso, vá preparando os legumes e adicionando-os à panela. 
Adicione a pasta de tomate, a paprika, o funcho seco e a erva doce, acrescente o caldo de legumes ou água, tempere com sal e pimenta preta e depois de levantar fervura coza em lume brando até os legumes ficarem macios (cozinhei na panela de pressão eléctrica por 10 minutos em pressão alta). 
Por fim, adicione a couve, o feijão cozido e o vinagre, rectifique a quantidade de caldo e os temperos e coza mais cinco minutos. 

Para preparar o molho de limão, basta misturar todos os ingredientes e deixar repousar até servir. 

Sirva a sopa bem quente, polvilhada com rama de funcho fresco ou funcho seco e o molho de limão. 



// Notas: 

-  Para agilizar a preparação dos legumes, em vez de cortá-los em cubinhos pode picá-los grosseiramente num robot de cozinha.


sexta-feira, 20 de novembro de 2020

Risotto de Outono. Castanhas e cogumelos

 Há um bom tempo que não fazia risotto e quando esta semana passei os olhos por um bem apetitoso no feed do IG, fiquei logo com o jantar decidido. 

Peguei nos ingredientes da estação que tinha em casa e como aproveitei para também cozer umas couves, incorporei os talos na base do refogado. Podem, pois, omiti-los se não tiverem ou substituí-los por talos de brócolos, couve flor ou algum outro legume que queiram aproveitar integralmente. 

As castanhas e os cogumelos são sempre uma combinação que não desilude, e a presença discreta da abóbora deu-lhe presença q.b. no conjunto de todos os sabores. Foi pena não ter umas folhas frescas para polvilhar, mas o creme de caju que envolvi no final fez esquecer isso assim que a primeira garfada chegou à boca. 


Outono, Outono, como não gostar de ti?


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Risotto de Outono 

Rende 2 a 3 refeições 


Azeite 1 dente de alho 
1 cebola 
Talos de couve (opcional) 
1 talhada fina de abóbora manteiga 
100 g de cogumelos pleurothus, em pedaços 
150 g de arroz carnaroli, p/ risotto 
1 chávena de miolo de castanhas pré-cozidas ou congeladas 
150 ml de cerveja 
400 ml de caldo de legumes caseiro ou água 
Noz moscada q.b. 
Sal q.b. 
Pimenta preta moída na hora q.b. 
2 c. sopa de creme de caju


// preparação tradicional 

Num tacho, refogue em azeite a cebola e o dente de alho picados até alourarem. 
Junte depois os talos de couve ralados e a abóbora em cubinhos ou ralada e deixe cozinhar uns minutos em lume médio. 
Acrescente os cogumelos e cozinhe em lume alto, até que se solte o seu líquido e fiquem douradinhos. 
Adicione então o arroz, mexa e cozinhe em lume médio até que o bago mude de cor. 
Deite depois a cerveja, aumente o lume e aguarde até que levante fervura e o álcool evapore. 
Tempere com noz moscada, sal e pimenta, junte as castanhas, reduza o lume e vá adicionando o caldo quente a pouco e pouco, esperando que o arroz o absorva para só então colocar mais, mexendo sempre. Este processo de cozedura do arroz demora entre 18 a 20 minutos. 
Apague o lume, envolva o creme de caju e rectifique os temperos. 
Deixe descansar cinco minutos e sirva de seguida. 

* Quando faço iogurte de soja e caju fico sempre, propositadamente, com creme de caju extra, que uso de variadíssimas formas. 
Para os risottos, misturo numa tacinha 2 c. sopa de creme de caju com 1 c. sopa de levedura nutricional e 1 c. café de mostarda e envolvo no fim, depois de desligar o lume do arroz, para acrescentar cremosidade. 
Quando não tenho creme de caju, substituo-o por iogurte de soja e acrescento 1 c. sopa de azeite junto com a levedura e a mostarda. 


// preparação robot de cozinha (bimby_thermomix) 

Coloque no copo o azeite, a cebola, o alho e os talo de couve, pique 5 seg/vel 5 e refogue 5 min/Varoma/vel 1. 
Adicione os cogumelos e salteie 5 min/Varoma/c. inversa. 
Junte as castanhas, o arroz, a cerveja, o caldo, tempere com noz moscada, sal e pimenta, envolva bem com a espátula e programe 8 min/100ºC/vel colher inversa. 
Retire a tampa e com ajuda da espátula envolva para soltar o arroz do fundo do copo e programe mais 10 min/100ºC/vel colher inversa. 
Rectifique os temperos e envolva o creme de caju com a espátula. 
Deixe descansar cinco minutos e sirva de seguida. 

* Quando faço iogurte de soja e caju fico sempre, propositadamente, com creme de caju extra, que uso de variadíssimas formas. Para os risottos, misturo numa tacinha 2 c. sopa de creme de caju com 1 c. sopa de levedura nutricional e 1 c. café de mostarda e envolvo no fim para acrescentar cremosidade. Quando não tenho creme de caju, substituo-o por iogurte de soja e acrescento 1 c. sopa de azeite junto com a levedura e a mostarda.

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Feijão com couve e pão - Dia Mundial da Alimentação

Hoje celebra-se mais um Dia Mundial da Alimentação e gosto sempre de trazer alguma receita nova nesta data. 
Com o foco em alimentos simples, acessíveis, baratos e nutritivos, este feijão mostra logo ao que vem, é comida de conforto para saciar o corpo e a mente: na companhia que lhe quisermos dar, com caldo ou mais sequinho, ladeado de uma fatia de pão, qualquer outro cereal cozido ou batata. 

A esta base pode adicionar tomate, outras especiarias, mais caldo, leite de coco e caril, batata, massa...
As opções são tantas que poderíamos comer feijão com couve todos os dias da semana sempre como uma refeição nova.

Como não adorar o feijão com hortaliça de sempre?


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Feijão com hortaliça 

Azeite 
Cebola picada 
Alhos esmagados 
Cominhos 
Louro 
Couve lombarda, cortada em juliana grossa 
Cenoura em cubos 
Nabo em cubos 
Chuchu em cubos 
Feijão cozido 
Caldo da cozedura (ou água)
Sal e pimenta preta moída na hora 


// preparação 

Refogue no azeite a cebola e os alhos, com a folha de louro e os cominhos. 
Quando a cebola estiver macia e dourada, junte a couve, a cenoura, o nabo e o chuchu e deixe cozinhar em lume médio por uns minutos. 
Adicione o feijão cozido e o caldo reservado da sua cozedura praticamente até tapar todos os ingredientes e deixe levantar fervura. Tape e cozinhe em lume baixo cerca de 1h30 a 2h (pode ser menos tempo, mas se houver essa possibilidade, cozinhar comida de tacho com tempo faz tanta diferença). 
Tempere com sal e pimenta e cozinhe mais uns minutos destapado para apurar. 

Sirva com uma fatia de pão, batatas ou algum cereal cozido a gosto.

segunda-feira, 18 de maio de 2020

Bolo crumble de nêspera

É Maio, as nêsperas estão no seu melhor. E se eu gosto de nêsperas.
As nespereiras em Palmela estão ao rubro e há que aproveitá-las o mais possível. Nada bate comê-las uma a uma com o sumo pelas mãos, mas depois há os gelados, os batidos, as tartes e bolos, os iogurtes, os crumbles e tudo e tudo.
Assim a temporada não fosse tão curta...


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Bolo crumble de nêsperas

Para o crumble:
50 g de amêndoa
40 g flocos de aveia
20 g de farinha (usei de espelta integral)
30 g de azeite
30 g de tâmaras medjool

6 a 8 nêsperas, conforme o tamanho
60 g de tâmaras medjool
240 g de bebida de soja
70 g de azeite
1 c. sopa de vinagre de maçã
½ c. chá de canela
240 g de farinha de trigo
60 g de farinha de aveia
1 pitada de sal
1 c. chá de fermento p/ bolos
½ c. chá de bicarbonato


// preparação tradicional

Pré-aqueça o forno a 180ºC.
Unte com azeite e polvilhe com farinha uma forma tarteira alta de 24 cm.

Comece por preparar o crumble.
Triture todos os ingredientes até obter uma consistência de farofa grossa. Reserve.

De seguida, descasque e descaroce as nêsperas e corte-as em meias luas. Reserve.

Triture as tâmaras, a bebida de soja, o azeite, o vinagre e a canela até obter uma mistura cremosa. Numa taça, envolva a mistura acima com as farinhas, o fermento, o bicarbonato e o sal, apenas até incorporar.
Deite a massa na tarteira preparada, distribua as nêsperas e cubra com o crumble reservado. Leve ao forno a 180ºC cerca de 40 minutos.


// preparação robot de cozinha (bimby_thermomix)

Pré-aqueça o forno a 180ºC.
Unte com azeite e polvilhe com farinha uma forma tarteira alta de 24 cm.

Comece por preparar o crumble.
Coloque todos os ingredientes no copo e triture 10 seg/vel 4. Retire e reserve.

De seguida, descasque e descaroce as nêsperas e corte-as em meias luas. Reserve.

Coloque no copo as tâmaras, a bebida de soja, o azeite, o vinagre e a canela e triture tudo 20 seg/vel vel 6.
Junte as farinhas, o fermento, o bicarbonato e o sal e envolva 15 seg, vel 3. Termine de envolver com a espátula.
Deite a massa na tarteira preparada, distribua as nêsperas e cubra com o crumble reservado.
Leve ao forno a 180ºC cerca de 40 minutos.



sábado, 9 de maio de 2020

Iogurte natural de soja e caju

E eis que volto aos iogurtes.
O meu post com a receita e dicas dos iogurtes naturais (com leite de vaca) continua um dos mais lidos de sempre do blogue e até já teve direito a uma actualização de fundo.
Mas o tempo passa, os hábitos alimentares cá de casa vão mudando, e agora o que por cá se faz são  iogurtes vegetais.
Já antes disso, para trabalhos de desenvolvimento de receitas, havia testado algumas receitas de iogurtes de soja. Na altura nunca consegui um resultado totalmente satisfatório em termos de consistência e sabor, mas como não consumíamos cá em casa, também não tinha motivos para investir mais energia no assunto.
Mas agora arregacei as mangas e não descansei até encontrar "a" receita.

Primeira questão, que dificilmente reúne consenso fácil: qual bebida vegetal usar?
Há à venda iogurtes vegetais deliciosos de leite de coco, mas considero-os mais uma sobremesa do que um substituto equiparável a um iogurte tradicional em termos de aporte nutricional. Esta questão é especialmente relevante quando pretendemos um iogurte que vai fazer parte da rotina alimentar de crianças. 
Para serem consumidos por todos nós cá em casa ao pequeno almoço ou lanche, faz-nos sim sentido usar a bebida de soja, por ser a mais rica em proteína. Apenas com leite de coco (que é constituído essencialmente por água e gordura), aveia ou amêndoa, serão iogurtes com pouco interesse nutricional, tornando-se a bebida vegetal apenas um “volume” para os probióticos. Dado o tamanho reduzido do estômago das crianças, não me parece terem utilidade.
Para crianças e adolescentes a bebida vegetal recomendada como alternativa ao leite de vaca, caso se queira consumir alguma, claro, é a de soja, de preferência suplementado com cálcio e sem açúcar.

Para quem pretenda mais informação sobre este tema e hipotéticas contra-indicações do consumo de bebida de soja, sugiro, entre tantos outros artigos de referência, a leitura destas breves publicações da nutricionista que nos acompanha, a Sandra Gomes Silva, e do nutricionista Sérgio Veloso.
São posts com fontes científicas identificadas e cujos links vos deixo aqui:
Sobre a escolha do tipo de bebida vegetal
Sobre o consumo de soja 
E mais este, também sobre o consumo de soja

Passamos agora aos restantes ingredientes.
Por ser uma bebida com menos gordura em relação ao leite de vaca é importante usar um espessante que nos ajude a alcançar a consistência a que estamos habituados nos iogurtes de vaca.
Há várias opções para esse fim como o amido de milho (a vulgar maizena), o amido de tapioca, o agar-agar, a farinha de araruta, a goma xantana ou a goma de guar.
Testei alguns destes, sozinhos, em conjunto e em diferentes quantidades, e percebi que se juntasse algum outro elemento que acrescentasse gordura à bebida de soja, o resultado seria ainda melhor.
E com apenas uma colher de sopa do mais vulgar e acessível dos espessantes – o amido de milho (conhecido como maizena) - consegui uma consistência que me satisfez todas as medidas.
Para tal, adicionei 50 g de cajus previamente triturados numa parte da bebida de soja, para ficarem totalmente em creme. A gordura dos cajus, e também o seu sabor, conferem ao iogurte um carácter que faz toda a diferença.
Em alternativa aos cajus, se quiserem simplificar a preparação, podem também usar o creme sólido que se acumula na parte de cima das latas de leite de coco ou manteiga de amendoim ou de outro fruto seco.


Para activar a fermentação, uso sempre uma porção de iogurte natural vegetal dos mais simples (sem aroma nem sabor), com a máxima validade disponível, ou uma quantidade equivalente do iogurte caseiro anterior.
Em alternativa podemos usar cápsulas de probiótico.
É muito importante que quer o iogurte anterior, quer o pó das cápsulas de probiótico, que contêm as bactérias que irão fermentar, sejam adicionadas ao líquido morno. Caso esteja demasiado quente, o calor matará as bactérias e se estiver demasiado frio, também não estarão reunidas as condições necessárias para a fermentação acontecer. 


E é precisamente no processo de fermentação que muitas vezes os iogurtes caseiros dão problema.
Se tiverem em casa uma iogurteira, basta colocar a mistura nos copos da iogurteira, aguardar o tempo indicado de fermentação e depois colocá-los no frigorífico.

Se não tiverem iogurteira, existem vários métodos alternativos: embrulhando os frascos numa manta polar e colocando-os numa geleira com um saco de água quente ou no forno desligado, previamente pré-aquecido, entre outros.
Eu faço os meus iogurtes há muitos anos sem iogurteira, usando frascos grandes de vidro de 1L, que embrulho numa manta polar com um saco de água quente e deixo a fermentar assim, dentro de um armário. Ficam sempre com uma consistência óptima.


Algumas dicas:

- No processo de fermentação dos iogurtes a temperatura é um factor fundamental.
Se o leite estiver demasiado quente, as bactérias do iogurte morrem e não se reproduzem, se estiver muito baixa, poderá não ser suficiente para que elas se reproduzam como queremos.
45º-50ºC é a temperatura ideal da bebida vegetal quando adicionamos o iogurte anterior ou o pó das cápsulas de probiótico para a fermentação decorrer nas melhores condições.

- Evite usar recipientes de plástico na fermentação do iogurte, pois são ambientes propícios ao aparecimento de micróbios. Se usar recipientes com tampa de metal, tenha atenção ao eventual aparecimento de ferrugem.

- Pode usar um frasco grande de 1L ou frascos pequenos, para doses individuais.

- Para fazer iogurte líquido, não use o amido de milho e deixe a fermentar numa garrafa de vidro, apenas cerca de 8 horas.
Agite bem antes de colocar no frigorífico e agite novamente antes de beber ou servir.
Ou na hora de consumir, misture um pouco de bebida de soja ao iogurte sólido e agite bem. É como faço para enviar em garrafinhas para os lanches da escola.

- Para fazer iogurtes com fruta fresca, esta deverá ser sempre pasteurizada, devendo para tal ser fervida e arrefecida (como se fosse uma compota rápida), antes de misturar com o leite. Se não o fizer, muito provavelmente os iogurtes ficarão talhados (ganham uma aguadilha esfarripada).
No entanto, algumas frutas dificultam particularmente a fermentação (morangos, ananás natural, kiwi, por ex), aumentando a probabilidade dos iogurtes talharem, mesmo que sejam previamente cozidas.
É mais seguro distribuir compota dessas frutas por cada um dos copinhos e verter por cima a mistura de iogurte natural para fermentar.
Ou, a opção mais segura de todas, fazer iogurte natural e adicionar a compota de fruta apenas na altura de comer, na taça de servir ou em copinhos individuais com tampa, caso queira comê-los fora de casa.

- Antes de iniciar a preparação da receita, começo por colocar três dedos de água a ferver no frasco de vidro onde irei fermentar o iogurte e reservo.
Quando termino, despejo a água do frasco e assim fica morno para receber a mistura de iogurte pronta a fermentar.
Embrulho o frasco numa manta polar juntamente com um saco de água quente, e deixo a fermentar embrulhado numa zona quente da casa (num armário), sem mover de lugar, durante 10-12h.

- Como podem ver nas imagens, duplico sempre estas quantidade da receita e faço a receita a dobrar, 2L de iogurte ao mesmo tempo. 

- Se alguma coisa falhar em relação à temperatura da fermentação e o resultado for demasiado líquido, pode sempre encará-lo como um iogurte líquido (mexa muito bem com uma vara de arames antes de colocar no frigorífico e sempre antes de beber), ou optar por congelá-lo numa caixa larga e baixa e usar em batidos e gelados (como este ou este).
Se depois de sólido bater esse bloco de iogurte congelado para o partir em pedaços, pode triturar com fruta madura e obtém um gelado bem cremoso pronto a comer.


Vamos então à receita?



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Iogurte natural de soja e caju

1 L de bebida de soja, fortificada com cálcio
50 g (1/3 cháv.) de cajus (ou manteiga de amendoim ou o creme sólido de uma lata de leite de coco)
1 c. sopa de amido de milho (a vulgar maizena)
1 c. copa de iogurte vegetal natural (usei de soja)


// preparação tradicional

Se optar por usar manteiga de amendoim ou o creme sólido do leite de coco, salte este passo.
Deixe os cajus de molho numa taça com água entre 4 a 12h. Descarte a água.
Triture os cajus com 70 g da bebida de soja usando a varinha mágica ou uma liquidificadora com um copo pequeno, até obter um creme bem homogéneo (se o copo for muito grande, sugiro que duplique as quantidades (150 g de cajus e 200 g de bebida de soja) e use apenas metade deste creme de caju resultante na receita de iogurte, aproveitando o restante para outros fins (tempere com mostarda, sal e pimenta, tahini, sumo de limão, ervas... ou adoce e use para barrar no pão, mais diluído pode usar como molho de saladas ou como maionese). Por ser um creme tão versátil é um essencial cá de casa.


Leve ao lume 500 ml da bebida de soja com o creme de caju (ou manteiga de amendoim ou creme de coco). Quando já estiver morno, coloque o amido de milho numa tacinha e junte um pouco do leite quente para dissolver e depois junte novamente à mistura principal, mexendo sempre.
Deixe levantar fervura e vá mexendo mais uns minutos até que o amido de milho se dissolva totalmente e tudo fique bem incorporado. Desligue o lume.
Junte o restante leite e mexa.
Se tiver um termómetro, confirme que a temperatura se encontra entre os 40 e os 50ºC. Caso não tenha, poderá confirmar que está na temperatura certa quando conseguir aguentar lá o dedo durante uns segundos. Caso esteja quente demais, aguarde até que arrefeça um pouco
Adicione então uma colher de sopa de iogurte e misture bem.

Deite num frasco de vidro grande ou nos copos da iogurteira, e deixe fermentar entre 10 a 12 horas, sendo que quanto mais fermentar, mais ácido será o sabor.
Para fermentar sem iogurteira:
Coloque três dedos de água a ferver num frasco grande de vidro, com tampa, de preferência de 1L, e deixe repousar enquanto prepara a mistura, para que o frasco fique morno.
Descarte essa água e depois deite a mistura de iogurte.
Embrulhe o frasco numa manta polar, junto com um saco de água quente, e deixe fermentar embrulhado, numa zona quente da casa, sem mover de lugar.
Depois de fermentar, mexa bem para ficar homogéneo e coloque no frigorífico.
Consuma depois de fresco e mexa antes de servir.


// preparação robot de cozinha (bimby_thermomix)

Se optar por usar manteiga de amendoim ou o creme sólido do leite de coco, salte este passo.
Deixe os cajus de molho numa taça com água entre 4 a 12h. Descarte a água.
Neste primeiro passo, com pretendemos um creme bastante homogéneo com quantidades de ingredientes reduzidas, prefiro não usar a Bimby mas sim o copo triturador da varinha mágica, por ser mais pequeno.
Triture os cajus com 70 g da bebida de soja usando a varinha mágica, até obter um creme bem homogéneo.
Se preferir usar a Bimby neste passo, sugiro que aumente as quantidades para 150 g de cajus e 200 g de bebida de soja) e use apenas metade deste creme de caju resultante na receita de iogurte, aproveitando o restante para outros fins (tempere com mostarda, sal e pimenta, tahini, sumo de limão, ervas... ou adoce e use para barrar no pão, mais diluído pode usar como molho de saladas ou como maionese). 
Por ser um creme tão versátil é um essencial cá de casa.

Coloque no copo da bimby o creme de caju (ou manteiga de amendoim ou creme de coco), 500 g de bebida vegetal, o amido de milho e o açúcar e aqueça 8 min/90ºC/vel 4.
Adicione o restante leite e misture 1 min/50ºC/vel 4.
Se a temperatura indicada for superior a 50ºC, aguarde que arrefeça até atingir 50ºC.
Por fim, adicione o iogurte e misture novamente 15 seg/vel 3.

Deite num frasco de vidro grande ou nos copos da iogurteira, e deixe fermentar entre 10 a 12 horas.
Para fermentar sem iogurteira:
Coloque três dedos de água a ferver num frasco grande de vidro, com tampa, de preferência de 1L, e deixe repousar enquanto prepara a mistura, para que o frasco fique morno.
Descarte essa água e depois deite a mistura de iogurte.
Embrulhe o frasco numa manta polar, junto com um saco de água quente, e deixe fermentar embrulhado, numa zona quente da casa, sem mover de lugar.
Depois de fermentar, mexa bem para ficar homogéneo e coloque no frigorífico.
Consuma depois de fresco e mexa antes de servir.




 



quarta-feira, 6 de maio de 2020

Esparregado de favas. São cascas, cascas de favas.

Todos os anos, quando chegam as primeiras favas da horta dos meus pais é como se finalmente a Primavera viesse instalar-se na minha cozinha.
Não me canso de repetir o quanto gosto delas e percebe-se bem isso pelos arquivos do blogue.

Há anos descobri algures na internet este aproveitamento maravilhoso das cascas das favas que resultam num belo esparregado. Não sei porquê, nos últimos tempos não tenho lembrado dele.
Ora tendo cá em casa mais três devoradores de favas, e de esparregado, é ideia que vem mesmo a calhar ser relembrada. Foi o Ricardo Felner que ma trouxe de novo ao prato e que bom que ficou!
Só tivemos pena que rendesse tão pouco, porque a primeira apanha foi pequena e ainda estou à espera de mais. A repetir nos próximos dias.


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Esparregado de favas

300 g de cascas de favas bem tenras (as vagens)
30 g azeite
4 dentes de alho
2 mãos cheias de espinafres frescos
Vinagre q.b.
Sumo de limão q.b.
Sal e pimenta preta q.b.


// preparação tradicional

Lave bem as cascas das favas e retire as extremidades e os fios laterais.
Coloque as cascas num tacho, cubra com bastante água e coza-as cerca de 15 minutos depois de levantar fervura. Escorra a água e reserve.

Aqueça o azeite numa frigideira, com os alhos picados.
Junte as cascas das favas reservadas e os espinafres. Vá mexendo, em lume brando, até os espinafres murcharem e os sabores apurarem, cerca de 5 minutos.
Triture com a varinha mágica até ficar homogéneo e tempere com sal e pimenta preta, vinagre em quantidade generosa e sumo de limão.


// preparação robot de cozinha (bimby_thermomix)

Lave bem as cascas das favas e retire as extremidades e os fios laterais.
Coloque no copo as cascas, cubra-as com água (700 g) a ferver e coza 20 min/100ºC/vel c. inversa. Retire, descarte a água e reserve as cascas.

Coloque no copo vazio o azeite e os alhos, pique 5 seg/vel 5 e depois refogue 3 min/100ºC/vel 1.
Adicione as cascas das favas já cozidas e os espinafres e salteie 5 min/100ºC/vel 2. De seguida, triture 20 seg/vel 7.
Tempere com sal e pimenta preta, vinagre em quantidade generosa e sumo de limão.



A temporada é curta para tanta coisa boa que apetece fazer, deixo-vos outras receitas com favas que tenho no blogue:

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Shakshuka de favas


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Salada de favas e funcho


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Creme de favas e funcho


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Favas com tomate


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Favas à grega






sábado, 2 de maio de 2020

Salada de feijão frade e pickles

Esta salada tem sido um dos pratos mais pedidos nas últimas semanas.
A Isabel gosta muito, é ela quem pede, e agora com os dias quentes finalmente a chegarem sabe ainda melhor.

Vale tanto a pena cozer o feijão em casa, faz a diferença no sabor. Se cozermos em quantidade podemos congelar uma parte e na próxima vez é tão rápido quanto abrir uma lata.
Deixei meio quilo de molho durante 24h, (trocando a água duas vezes), depois cozi sete minutos na panela de pressão elétrica, apenas com água, louro, azeite e alhos esmagados e usei uma parte na salada. O restante podia ter sido congelado, mas comemos mesmo assim, com o caldo da cozedura, apenas com uns espinafres misturados e um creme de caju e mostarda.

O toque de midas da salada são mesmo os pickles, não deixem de os usar. Se quiserem fazer os vossos, podem ver a minha receita aqui.
Acompanhámos com um pão acabado de fazer, torrado em azeite na frigideira e esfregado com alho.


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Salada de feijão frade e pickles

400 g de feijão frade cozido
1 cenoura ralada
Aprox. 200 g de pickles (usei cenoura e couve flor) 
1 cebola roxa picada
1 tomate chucha maduro
Coentros
Azeite e vinagre q.b.
Sal e pimenta preta moída na hora

Pão torrado
Azeite
Alho


// preparação

Numa taça grande, misture todos os ingredientes da salada, tempere com sal e pimenta preta moída na hora, azeite e vinagre e polvilhe com os coentros.
Acompanhe com o pão torrado em azeite na frigideira e esfregado com alho.



sexta-feira, 1 de maio de 2020

Pasta de tremoços e tomate seco. É petisco e é molho de massa.

Naquele improviso de quem tem um guisado no frigorífico que já não apetece repetir novamente, olhei para os tremoços e fiz assim.


Uma pasta de tremoços e tomate seco que se falasse, seria para pedir pão.
E havia mesmo um pão de espelta e nozes acabado de fazer logo de manhã.

Mais tarde, a pasta misturada com um pouco de água da cozedura do esparguete, fez um molho zás-tráz que resolveu o jantar: cozimasa com uma curgete em pedacinhos, juntei o molho de tremoços e uns espinafres envolvidos apenas para quebrarem. E está o prato feito.

Deste pão de espelta e nozes falarei com detalhe noutro post.
Mas a qualquer massa de pão com aproximadamente 500 g de farinha, juntem uma pasta de noz na altura de amassar e umas nozes em pedaços mesmo antes de iniciarem a primeira levedação.
Para a pasta de noz, tostei 40 g de nozes numa frigideira e depois triturei com 1 c. sopa de azeite.
Vi numa receita do livro da Ângela Silva, da Padaria Miolo (O Livro do Pão) e ficou o melhor pão de noz que já fiz.

A pasta de tremoços foi feita a olho. Mais coisa, menos coisa, aqui está.


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Pasta de tremoços e tomate seco

½ frasco de tremoços (aprox 160g), demolhados em várias águas para reduzir o sal
4 metades de tomate seco
1 c. sopa de alcaparras
1 dente de alho, sem o veio central
1 c. sopa de tahini
1 c. sopa de azeite
Sumo de ½ limão
Pimenta preta moída na hora Água q.b.


// preparação

No copo da varinha mágica, triture todos os ingredientes e vá adicionando um pouco de água até obter uma pasta homogénea.
Tempere com pimenta (não usei sal, porque os tremoços não ficaram com algum).


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terça-feira, 28 de abril de 2020

Bolo de banana com casca

Cozinhar é imperativo e é terapêutico também, no meu caso.
São duas miúdas em casa, com quatro anos e meio e outra com quase quinze meses, boas bocas, felizmente, e sempre devoradoras quando chega a hora das refeições.
Haja por isso ânimo e vontade para manter a cozinha em produção farta. Aproveito para experimentar receitas novas, venham elas de ideias que iam sendo proteladas ou de inspirações do momento que vou apanhando por essas redes sociais.
À noite, enquanto lia sobre pão, fui clicando aqui e ali e cheguei a um bolo de banana inteira que me piscou logo o olho. Impossível resistir a um bolo que leva cascas de banana... se quiserem vejam este bem antigo que tenho cá no blogue...

Olha que bom que até ia ligar o forno para fazer o almoço no dia seguinte, se é que me entendem...


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Bolo de banana com casca

2 bananas com casca, partidas em pedaços (de preferência biológicas)
50 g (1/4 cháv) de azeite
120 g de tâmaras medjool ou açúcar (2/3 cháv)
240 g (1 cháv) de água
1 c. sopa de vinagre de maçã
1 c. chá de canela
240 g de farinha (2 cháv) – usei 1 de farinha de trigo integral + 1 de trigo espelta
1 c. chá fermento
1 c. chá de bicarbonato de sódio
1 pitada de sal


// preparação tradicional

Pré-aqueça o forno a 180ºC.
 Unte com azeite e polvilhe com farinha ou forre com papel vegetal uma forma de pão rectangular de 28x12 cm.

Com uma liquidificadora ou varinha mágica, triture as bananas com a casca, o azeite, as tâmaras (ou açúcar), a água, o vinagre e a canela até obter uma mistura homogénea.
De seguida, envolva as farinhas, o fermento, o bicarbonato e o sal, apenas até ficar sem grumos.

Deite a massa na forma preparada e leve ao forno a 180ºC durante aproximadamente 40 minutos ou até que um palito espetado no centro saia seco.


// preparação robot de cozinha (bimby_thermomix)

Pré-aqueça o forno a 180ºC.
Unte com azeite e polvilhe com farinha ou forre com papel vegetal uma forma de pão rectangular de 28x12 cm.

Coloque no copo as bananas com a casca, o azeite, as tâmaras (ou açúcar), a água, o vinagre e a canela e triture 40 seg/vel 7.
Envolva as farinhas, o fermento, o bicarbonato e o sal 10 seg/vel 3 e termine de envolver com a espátula, apenas até ficar sem grumos.

Deite a massa na forma preparada e leve ao forno a 180ºC durante aproximadamente 40 minutos ou até que um palito espetado no centro saia seco.